Lisboa


Fotos retiradas do sítio web da Câmara Municipal de Lisboa

 


DOIS OLHARES SOBRE LISBOA


Lisboa, uma cidade com história

O povoamento da região onde se situa Lisboa tem raízes pré-históricas. Como o país, as suas gentes resultaram da miscigenação dos muitos povos que por cá passaram e se estabeleceram, alguns secularmente, o que foi facilitado pela sua privilegiada localização geográfica e permanente abertura ao mar. A cidade continua a ser um testemunho vivo de alguns desses momentos mais significativos. A presença romana na Felicitas Julia Olissipo de então continua visível no Teatro de Nero, perto da Sé, ou nas termas da Rua da Prata. Mesmo que a Aschbouna muçulmana não nos tenha deixado muitos vestígios materiais, o complexo traçado do Bairro de Alfama e alguns dos seus pormenores arquitectónicos não deixam de ter a sua inspiração no urbanismo do Norte de África, a par de alguns traços da nossa identidade.

Novamente cristã, e já formado o Reino de Portugal, o espírito da Lisboa medieval está bem presente na mole imensa da Sé Catedral, onde o aspecto pesado de fortaleza românica se combina harmoniosamente com a luminosidade e a verticalidade típicas do gótico. O Castelo, embora assente em fortificações anteriores, evoca a conquista de Lisboa (1147) e, numa das suas portas, Martim Moniz transfigurou-se em mito. Alguns trechos das muralhas defensivas, da Cerca Moura à Cerca Fernandina, demarcando o crescimento da cidade, pertencem, igualmente, ao período medievo e testemunharam abundantes cercos, um dos mais dramáticos em 1384, lutava o Mestre de Avis pela coroa portuguesa. No seu interior, Judeus e Mouros tinham os seus bairros e algumas imunidades, depois perdidas. D. Afonso III transferiu para ela a corte, em 1255, elevando-a a capital. Foi aqui que D. Dinis criou o Estudo Geral (1290), embrião longínquo da Universidade de Lisboa. A Rua das Escolas Gerais, entre Alfama e S. Vicente, via tortuosa de passagem do famoso 28 da Carris, ainda hoje lhe evoca a memória. VER +

 

  
Um dia na Lisboa de hoje

Estamos no largo de Camões, carinhosamente apelidado apenas de “largo” e o ponto de encontro preferido dos lisboetas. Há gente a beber “a bica” aproveitando a luz clara da manhã na esplanada no Quiosque, um dos muitos que nos últimos anos têm sido reabilitados, povoando zonas estratégicas de Lisboa. No centro da praça ergue-se a estátua do autor d’Os Lusíadas. Entrando no Chiado, uma das zonas mais movimentadas da cidade, passamos pelo emblemático café lisboeta A Brasileira onde, numa das suas mesas, encontramos a estátua de Fernando Pessoa. Ouve-se música tocada em troca de moedas por grupos de jovens. Vêem-se estudantes, intelectuais, empresários, comerciantes e mendigos. No fim da rua Garrett, chegamos aos Armazéns do Chiado, espaço comercial com história, e descemos para o Rossio. Na rua do Carmo, encontramos um velho carro que vende discos de fado e preenche a rua de música. Pessoas bebem ginjinha, licor típico português obtido da fermentação da ginja. Descemos a rua Augusta acompanhando a sua azáfama comercial e apanhamos o 28, o eléctrico com o percurso mais bonito da cidade.

Saindo no miradouro de Santa Luzia, pode dar-se um saltinho ao Castelo de São Jorge ou continuar para a Graça. Aqui fica um miradouro com uma vista privilegiada sobre Lisboa: a Nossa Senhora do Monte. Estamos agora na zona mais popular de Lisboa e, descendo para Alfama, a vida de bairro é bem visível: as vizinhas falam à janela, as crianças jogam à bola nas ruas estreitas, as janelas têm roupa estendida e ouve-se fado pelas portas entreabertas; o fado de Lisboa, música de lamento e de saudade, cuja origem remonta às velhas tabernas de Alfama e da Mouraria. Podemos entrar numa tasca e comer uma açorda de gambas ou um bacalhau com todos. É também aqui que, em Junho, as casas se cobrem de cores e as ruas se enchem de pessoas a comer sardinha assada e a beber vinho para festejar os santos populares. VER +